Mais de uma luz

 Nunca me julguei capaz de ser aquele pretensioso agente transformador da forma como alguém decide ver a vida - nem quero. Gosto da minha insignificância, da minha ingenuidade e do silêncio que ecoa em mim como um grito.

O livro que ilustra esse post fez parte das minhas leituras de abril. E me ensinou tanto que hoje decidi tirá-lo da estante para reler os trechos que marquei cuidadosamente com pequenos adesivos coloridos.

A segunda marcação me remeteu ao sentimento que tenho visualizado nos últimos dias: o apego ao ódio, a ausência de responsabilidade coletiva e a falsa equivalência de trajetórias e intenções tão discrepantes.

Decidi compartilhá-la aqui em meu perfil não para que ela se tornasse uma mensagem revolucionária ou de ruptura. Ao contrário, simplesmente para que ela se apresentasse como um convite à reflexão dos indecisos.

O último domingo de outubro, você sabe, será um marco em nossas vidas tal qual uma linha imaginária que divide um território compartilhado.

Linha que separará insensatos de perspicazes, isentos de espertos, incautos de cautelosos.

Eu já decidi de que lado vou ficar, mas se você ainda tiver dúvidas, se estiver se sentindo perdido nessa poluição imagética de discursos, me mande uma mensagem inbox.

Um retumbante não ao fanatismo é a melhor resposta para uma indecisão. Se for regado a um bom e velho cafezinho, fica melhor ainda!

(...)

"Como vimos, talvez uma das causas para o aumento do fanatismo seja a avidez cada vez mais acentuada por soluções simples e contundentes, pela salvação "de um golpe só". Além disso, estamos todos nos afastando dos horrores que aconteceram nạ primeira metade do século XX: Stálin e Hitler, sem que fosse essa sua intenção, fizeram com que duas ou três gerações que lhes sucederam desenvolvessem um temor profundo ante todo extremismo. Em certa medida, uma contenção dos instintos que levam ao fanatismo. Durante algumas dezenas de anos, graças aos maiores assassinos que o século XX conheceu, racistas se envergonhavam um pouco de seu racismo, quem estava cheio de ódio reprimia um pouco seu ódio, e os redutos de fanatismo no mundo controlavam um pouco suas manifestações, talvez não em toda parte, mas pelo menos em alguns lugares. Nos anos mais recentes, parece que esse "tributo de Stálin, de Hitler, dos militaristas japoneses, está se aproximando de seu prazo de validade. A vacinação parcial que recebemos está se esgotando."