Carta 029 - Dia do Leitor

Querido Joaquim,

Todo dia 07 de janeiro tem como propósito celebrar o Dia do Leitor. E como é bom saber que você já é um — e que, portanto, pode comemorar junto de nós essa data tão singela quanto especial.

Não me lembro ao certo de qual foi o primeiro livro que você ganhou (vou perguntar à sua mãe se ela se lembra). Lembro-me, porém, do dia em que decidi pagar uma assinatura de livros para você chamada Leiturinha. Você ainda nem tinha nascido, mas, à sua espera, já estavam alguns títulos que sua vó também havia comprado, como quem prepara o mundo com antecedência e carinho - ou como quem guarda um livro sabendo que um dia chegará a hora de lê-lo.

Sempre que vou até a sua casa, lemos alguma história juntos. A que você mais gosta, entre tantas que já conheceu, é aquela que traz um pássaro chamado Celso na capa — ou melhor, o bico dele. É curioso como certos detalhes escolhem a gente antes mesmo de sabermos por quê.

Sei que você ainda não compreende as letras, não sabe exatamente a razão pela qual elas estão ali dispostas. Mas sei também que você já sabe observar as imagens, perceber as diferenças de cores e reconhecer as paisagens visuais que mais lhe agradam. E é assim mesmo: a vida do leitor começa aos poucos, conhecendo novas obras, permitindo-se ser impactado por histórias diferentes daquelas que já lemos e, sobretudo, entendendo que ler é conhecer o mundo com a imaginação.

Já que estamos falando do Dia do Leitor, deixo registrado, aqui nesta cartinha, o livro que seu tio está lendo no momento: Romance Negro, do autor brasileiro Rubem Fonseca. Trata-se de uma coletânea de contos com narrativas envolventes, repletas de aventuras, pensamentos e peculiaridades.

Em uma delas, um homem faz questionamentos sobre o sentido da vida e procura ensinar mulheres em situação de vulnerabilidade a ler e a escrever; em outra, um homem que até então não se alimentava descobre o prazer da comida ao deliciar-se com uma truta — o final não é lá muito feliz, mas guarda uma boa lição de moral.

Talvez você goste dele, talvez não. Eu mesmo ainda prefiro aguardar o final do livro. Ah, este é o primeiro que leio do autor, então ainda não o conheço tão bem. Ouvi dizer que a última história é a melhor de todas — e isso sempre cria uma expectativa boa.

Seja como for, que tenhamos sempre bons livros ao nosso redor, Joaquim. E que possamos cultivar por eles todo o amor do mundo. Podem ser apenas blocos de papel, um amontoado de letras e imagens, mas serão, sempre que possível, ingressos para uma vida melhor.

Feliz Dia do Leitor!

Com carinho,
Tio/Padrinho Matheus.
11 jan. 26