Carta 028 - Fim ao desamor
Querido Joaquim,
Na cartinha de hoje, quero te contar sobre uma coisa nada legal: as guerras. Elas existem há muito tempo e, algumas delas, infelizmente, parecem não ter fim. No mundo todo, em épocas diferentes, elas ditaram os rumos da humanidade, para o bem ou para o mal.
Aprendi, lendo uma revista, Joaquim, que guerras existem há mais de 4.700 anos. Portanto, não se trata de uma característica do nosso tempo, mas de toda uma era. Como elas nascem, você pode perguntar; quase sempre após um impasse, eu responderia. Mas nem sempre: guerras podem surgir de motivos inexplicáveis e sem uma causa definida.
A primeira guerra de que se tem registro, Joaquim, tem a ver com disputa de território, domínio político e financeiro. Hoje, muitas delas ainda estão em curso pelas mesmas pretensões. São homens querendo ter mais importância do que têm, países querendo ser maiores do que já são, egos que se inflam mais do que podem em busca de dinheiro e poder.
Um dos embates, Joaquim — o principal e mais horripilante da nossa época — ceifou a vida de milhões de pessoas pelo mundo. Na ocasião, um homem mau e ressentido liderou uma multidão em busca de vingança e convenceu-os a entrar em uma perseguição religiosa e em um genocídio que hoje conhecemos como Holocausto. A paz, ao fim de tudo — e honrando a trajetória de todas as vítimas —, prevaleceu.
Na última semana, outro homem mau ingressou em uma guerra contra outro homem mau. Perceba, Joaquim, que uma guerra nem sempre é uma disputa de lados. Às vezes, uma guerra é só uma imposição do mais forte. Um desejo, por vezes individual, de ter à força aquilo que não se tem — e que, pela regra geral, não deveria ter mesmo. Mas a lei se rompe, infelizmente.
Não há justificativa. Contra homens maus, a justiça de cada país. Contra as guerras, o diálogo, a diplomacia, a paz. Contra a animosidade, uma boa dose de ânimo.
(...)
Seu padrinho tem quatro livros sobre guerras (dois lidos e dois à espera para serem lidos). Quem sabe não é uma boa hora para lê-los, não é mesmo? Além dos livros, seu padrinho tem um LP que, entre as músicas, traz uma canção com a seguinte mensagem — e que encerra essa cartinha de um modo, digamos, mais esperançoso:
Tio/Padrinho Matheus.
