Carta 026 - Amor, autoestima e propósito
Querido Joaquim,
O Natal, você deve imaginar, é uma data muito bonita, pois celebra o nascimento de Jesus Cristo. A data também traz como brinde uma aura de renovação, de espírito beneficente, de comunhão — como se o mundo, ainda que por alguns instantes, respirasse um pouco mais devagar. Não por acaso, é claro: o aniversariante é um cara legal e prega exatamente isso por onde passa, em palavras e gestos simples. Essa cartinha não é, propriamente dita, sobre o Natal. Ela tem outro objetivo: apresentar, de maneira simples e resumida, alguns dos preceitos que visualizo nessa data tão celebrada mundo afora.
Você vai ouvir ainda, Joaquim, a frase "ame ao próximo como a ti mesmo". Apesar de bela, para ela fazer sentido de verdade, é preciso que a gente aprenda uma coisa: se a gente não se ama, como a gente vai amar os outros? Faz sentido, não faz? E essa é a primeira lição que quero deixar a você. Por isso, se a gente se ama pouco, amaremos pouco também aqueles que nos cercam — como quem tenta repartir um pão que mal alimenta a si mesmo.
Isso se chama, em outra área da pesquisa humana, autoestima. É quando a gente começa a perceber coisas positivas em nós, quando reconhecemos nosso valor no mundo, as pequenas e grandes coisas boas que fazemos, mesmo sem perceber. Parece fácil ter a tal estima, mas devo te alertar que se trata de uma tarefa muito desafiadora, já que, todos os dias, pessoas, coisas, hábitos e lugares parecem nos empurrar para a ideia de que somos ruins em tudo o que fazemos, como um coro insistente que tenta nos convencer do contrário.
Tem outro nome que nos ajuda a entender esse fenômeno: propósito. Quando a gente descobre o nosso, Joaquim, é como se ganhássemos outra vida — ou, quem sabe, a ideia de que faz sentido continuar acreditando nela. Quando não o achamos dentro de nós, tudo parece ruir e perder o chão. Falta-nos cor.
E o nosso “propósito”, Joaquim, não precisa ser nada grandioso, fora do nosso alcance, como às vezes pintam por aí. Dar aulas de matemática, ser um agente de saúde, tocar um instrumento, ser um guarda de trânsito, tornar-se dono de uma multinacional, operar uma máquina ou uma bomba de gasolina, ouvir e entender a mente das pessoas, trabalhar em um banco, no quarto dos fundos, construir casas, reformar apartamentos, trabalhar em um hospital ou querer viver escrevendo livros podem parecer coisas diferentes.
Eis a nossa segunda lição: se houver dedicação e capricho, elas se tornam praticamente iguais: trabalhos, missões, tarefas… propósitos que dão sentido aos dias.
Então, vamos lá, recapitulando: tarefa 1: amar a si mesmo primeiro que amar os outros; tarefa 2: buscar a tão sonhada autoestima e; tarefa 3: construir um propósito.
Você está preparado? Calma, calma, que você ainda não precisa pensar nisso.
Por agora, basta ser o que você é - e isso já é muito!
Crescer, Joaquim, também é aprender a esperar.
é só tua
27 dez. 25
